☞EXPRESSÃO DO DIA #2 “DŌMO – ARIGATŌ – GOZAIMASU.”
DŌMO – ARIGATŌ – GOZAIMASU é uma expressão usada quando queremos expressar gratidão
de forma polida. ARIGATŌ, por si só, corresponde a “obrigado”. Acrescentando DŌMO e
GOZAIMASU damos um toque de polidez. DŌ – ITASHIMASHITE é a expressão que devemos
usar sempre que alguém nos agradece algo.
Sem Título
17 janQueixadas de Burro Derrubam os Sansões da Moda
7 junHá uma categoria muito engraçada e profundamente lamentável que diz “entender de moda”. Para elas, as pessoas devem cercar-se de informação – especialmente dos Estados Unidos e Europa – para montar um look bacana e chique, essas coisas.

As pessoas acham que eu “entendo” de moda, que eu me visto bem, mas não tenho coragem – nem humildade – de dizer que elas estão erradas. Boa parte do que eu entendo por elegância provém de histórias em quadrinhos dos anos 40/50, as Misterinhos do meu avô, que na época foram cuidadosamente encadernadas, povoaram minha infância lá pelos anos 90, e até hoje estão guardadinhas num canto nobre da estante. Ultimamente tenho acompanhado alguns mangás variados, e esta leitura consolidou uma abordagem estética que muito me agrada. (Nabari no Ou, Tsubasa, D. Gray-Man, etc. a lista é longa.)
Ocorre, contudo, que hoje isto está “na moda”, o chamado vintage. Aquela coisa: trench coat, coturnos, costuras militares, etc. Ano que vem, isso tudo pode ser brega, out, ridículo. Mais ou menos como o lenço palestino amarrado no pescoço.
Ademais, a roupa que eu compro vem das mesmas lojas que o resto do mundo compra, então não vejo muito nexo no sarcasmo elogio. Mas é elogio, né, a gente aceita humildemente.
Ainda assim, na minha lista Google Reader eu vejo algumas coisinhas interessantes, como o Tokyo Fashion – repleto de gente fantástica vestindo coisas bizarras demais para os olhinhos redondos dos ocidentais –, o Sartorialist, o Advanced Style, e o Moda para Homens. Outros tantos não merecem citação – pois fazem parte justamente da categoria que eu disse lá em cima.
É o pessoal que adora apontar os equívocos que gente comum cansa de cometer – como se todo mundo fosse obrigado a sair como as famélicas modelos da Vogue, etc., em lamentar como as pessoas não se atentam para a própria beleza, e por aí vai.
Sei que pouco tem a ver (ou não), mas não lembro ninguém desse povo lamentar ou mesmo comentar o tratamento criminoso a que os mendigos estão sendo sujeitos em São Paulo – talvez porque os nossos descamisados não sejam tão fashion como os da China.
Enfim. Sempre que vejo esse tipo de coisa, lembro dessa fenomenal OWNADA que a digníssima mulher estabefou na repórter:
A grata surpresa de dance in the vampire bund
22 fevO mangá é estupendo. Muito, muito bom.
Não é sempre que sou surpreendido com uma boa, uma excelente obra, ainda mais em terreno extremamente fértil em clichês e lugares-comuns como os mangás. E se você conseguir resistir ao choque inicial das páginas – afinal, vampiros precisam ser aterrorizantes, ainda que no pior mau sentido lolicon e shotacon – verá referências diretas ao romantismo fantástico de Byron e Shelley – e vampiros como devem ser, e lobisomens como deveriam ser.
É fantástico, fantástico.
Maximum Cosmo É O CARA
19 dezInterrompo a letárgica pasmaceira deste blog para avisar vocês de que um artigo muito, MUITO interessante foi postado no Maximum Cosmo.
Pelo amor dos deuses, vocês precisam ler isso.
Sério mesmo. Leiam. Leiam. O artigo é grande, cheio de figuras, referências e citações, mas não fique cansado, seus preguiçosos de meia tigela. Leiam.
Coisas que eu gosto: Steampunk
28 abrImagine – apenas ponha essa sua cabeça vazia pra funcionar, poxa – que a tecnologia de hoje estivesse disponível desde o final do século XIX, porém com os recursos daquela época. Nada de lentes de policarbonato, polímeros e metais compostos, tudo feito na base do bom e velho vidro e cobre, latão, bronze e ferro. No lugar de borracha, couro. Microchips? Puá. Válvulas de germânio e tungstênio fariam os computadores calcularem quantas voltas a gravata precisa correr em volta dela mesma para ajeitar o nó meio Windsor. Principal combustível? Carvão, para atiçar as caldeiras de vapor dos carros e aviões.
A rigor os aspectos do universo Steampunk foram gestados pelos clássicos romances de ficção científica H. G. Wells, Julio Verne etc., segundo a Wikipedia, embora eu identifique alguns pitacos de Aldous Huxley e George Orwell, no meio. Bem, não importa: esses senhores, ao prever boa parte da tecnologia e comportamento do mundo atual, ainda que adaptando o possível para suas respectivas épocas. O Nautillus de Julio Verne e a banalização grotesca da privacidade antevista por Orwell são bons exemplos. Daí para diante, em meados dos anos 80 esse universo surreal e charmosíssimo só se fez crescer, sempre buscando referências na era Vitoriana e a Revolução Industrial do período.
Alguns nerds espinhentos contos underground e toneladas de RPG trataram de brotar este gênero da ficção científica, que hoje, graças aos reais avanços da tecnologia, polímeros, transistors, etc., ocupa-se de retratar como seria este mundo. de As Aventuras da Liga Extraordinária, por Alan Moore e Kevin O’Neil aos
filmes do Hellboy, podemos quase snetir o cheiro do carvão fumegante.
Além disso, o mundo hoje está repleto de nerds espinhentos artesões e cosplayers que desperdiçam seu precioso tempo para criar roupas e acessórios e distorcer adequar nosso agonizante mundo aos ideais estéticos do início do século passado. Gadgets ultramodernos – e outros nem tanto – despem-se do plástico preto piano e envergam estilosos adereços de bronze, latão, madeira e madrepérola. Meu sonho é ter uma casa repleta desses equipamentos.
E a influência midiática do Steampunk está forte como nunca. Mangás e animes dos mais diversos usaram à exaustão os excessos do Steampunk como os adoráveis D.Gray-man e Fullmetal Alchemist e os filmes Steamboy (clássico) e The Sky Crawlers (este último legendado recentemente pelo MDAN é FENOMENAL).
Fiquem com mais steampunk para alegrar o dia, coletânea do Flickr. Cliquem ans imagens e não deixem de conferir outras fotos dos excelentes artistas.
Review de Fullmetal Alchemist
2 nov
Agora com um novo anime saindo em abril de 2009, chegou a hora de revisitar essa maravilhosa história, que já foi objeto de resenha.
Em Rizenpool, um vilarejo rural esquecido num canto mais ou menos no sudoeste de Amestris, Edward e Alphonse perdem sua mãe, Trisha vitima por uma fulminante doença e também, por assim dizer, devido a intenso desgosto (sete anos, se não me falha a memória) pela fuga misteriosa de seu marido, Hohenheim. Este senhor, um poderoso alquimista, deixou todas as suas anotações guardadas em seu gabinete, os quais foram objetos de intensa curiosidade por parte dos filhos, praticamente autodidatas no
assunto.
[pausa para o café] “Mas como assim, alquimista?” Aquela coisa medieval que todo mundo estuda vagamente na escola”?
Bem, mais ou menos. Reconheçamos que Hiromu Arakawa foi muito feliz em sua pesquisa e colocou, de modo vago mas bem a seu modo, os dogmas materiais e espirituais mais importantes que compõem o conceito da alquimia (usualmente tratado como uma pré-ciência, segundo o pensamento científico moderno), embora naturalmente — até mesmo para a história ter mais ação e não virar uma paródia barata de Paulo Coelho (como se só ele não fosse o bastante) — a transmutação e manipulação da natureza seja, de início, o conceito mais visível na história. Seguindo esse raciocínio, a transmutação de materiais segue um princípio básico e inabalável: para produzir determinada quantidade de material, deve-se possuir
outro material com quantidade equivalente. Se você quiser obter um quilo de ouro, precisa ter outro quilo de, digamos, carvão, para efetuar a troca (transmutar materiais de naturezas distintas, como de água e madeira para papel, obviamente é uma tarefa muito mais árdua). Este é o mote principal do desenho e do mangá, embora neste último a idéia seja mesclada com os outros conceitos mais espirituais da alquimia.
Os irmãos Elric não consideraram, no entanto, que a alquimia é muito mais profunda do que a troca equivalente faz parecer. Fizeram pouco caso da influência que a energia da própria vida, do espírito, teria sobre seus experimentos e foram adiante sem se importar com o maior tabu da alquimia de Amestris: a transmutação humana. Com essa técnica, os Elric tentaram recriar a mãe a partir da “fabricação” de um ser humano, no que resultou, obviamente, em tremendo fracasso.
Al perdeu-se numa espécie de limbo, e, para trazer pelo menos a alma do irmão de volta, Ed sacrifica mais um pedaço do próprio corpo. A muito custo, conseguiu fixar Al numa armadura velha da coleção de seu pai por meio de um selo de sangue, e a partir daí a jornada em busca de reparar tudo que eles perderam nesta noite fatídica começa.
A vizinha Winry Rockbell e sua avó são especialistas em próteses mecânicas denominadas automail, que, junto com a alquimia, são os atrativos científicos da série. As duas consertam o estado lastimável de Ed e Winry eventualmente acompanha-os nas andanças por Amestris, a fim de consertar as próteses de Ed, constantemente submetidas à fadiga excessiva dada a infindável série de escaramuças que eles arranjam, especialmente com os homunculi, seres artificiais hominídeos criados e desenvolvidos a partir do uso da pedra filosofal (reconhecíveis pelo círculo de Ouroboros tatuados no corpo).
O anime e mangá contém diferenças substanciais: os personagens são praticamente os mesmos, um ou outro “figurante” ganha mais destaque para dar andamento ao enredo da série animada, há adição de alguns personagens não existentes na história original e, acima de tudo, os vilões são tratados de forma diferente. A partir do momento em que as histórias se separam, o anime corre o eterno risco de cair no lugar-comum dos “fillers” criados na TV — aquela coisa de mundos paralelos, reaproveitamento ad infinitum de personagens que todos julgavam mortos e enterrados — mas
felizmente o roteiro é maravilhosamente bem acabado. O episódio final da série, afora a notória ambigüidade de não encerrar definitivamente (talvez pra faturar um pouco mais com OVAs e filmes), é dos mais bonitos e melancólicos. E o filme também é de encher os olhos e fecha a trama desenvolvida pelo estúdio Bones com chave de ouro.
O ambiente que vemos na tela e no papel é o mesmo. Uma sociedade militarista governada com mão de ferro por um führer (ditador) King Bradley, simpático para com os seus e extremamente violento e xenófobo com os povos vizinhos (a
analogia, no filme, da Alemanha dos anos 1930 e a marginalização do povo cigano, Roma, é muito pertinente). A surpresa de tudo não está nas freqüentes guerras civis e/ou com os vizinhos periféricos, mas sim o motivo dessa matança ininterrupta.
O mangá dá mais ênfase à origem dessa briga, na qual os Elric são personagens-chaves não só na resolução, mas na origem de tanto desequilíbrio. De norte a sul do país todo o tipo de subterfúgios está conectado a histórias perdidas, antigas, de dor e morte, tudo intrinsecamente ligado a alquimia e aos Elric, no final das contas.
O elenco de apoio é fenomenal; Roy Mustang, os irmãos Armstrong (no anime somente Louis tem destaque), Riza Hawkeye e tantos outros são protagonistas de excelentes histórias paralelas e despertam tanta simpatia quanto os heróis.
Olha, não dá pra perder. Vale a pena.
D.Gray-Man
21 set
Ambientado num fictício final do século XIX, em D.Gray-Man acompanhamos a jornada de Allen Walker desde sua entrada na organização católica Ordem Negra, responsável por exterminar akuma (demônios, em tradução literal) e seus controladores, os treze descendentes de Noé. Os principais integrantes da Ordem são os Exorcistas, um punhado de soldados (inicialmente retratados como monges) que têm aptidão em dominar a inocência, substância mítica que confere poderes extraordinários a quem utiliza (nada de novo que não se tenha visto com outra roupagem, portanto), que pode ser associada a algum equipamento ou atuar no próprio corpo do utilizador.
Pouco a pouco, Allen imerge na centenária guerra da Ordem contra os akuma, armas movidas por almas humanas invocadas por pessoas desesperadas, e os Noés, e nela vale tudo; os exorcistas revelam ter a ajuda de um gigantesco contingente de cientistas, sediados em construções imensas espalhadas nos quatro continentes e que atuam no desenvolvimento de captura e manipulação da inocência, mas também na neutralização dos akuma. Os finders (ou procuradores), além de serem candidatos reprovados na difícil tarefa de domar a inocência, são encarregados de encontrá-las ao redor do mundo e ajudar os exorcistas nas tarefas logísticas.
Os Noés são liderados pelo Conde do Milênio (embora o/a mangaka Hoshino Katsura não diga explicitamente, o personagem certamente foi inspirado no Conde de Saint Germain), e seus anseios são até muito simples: destruir o mundo e varrer a pecadora humanidade da face da terra
! Ao que parece, a primeira tentativa de tal feito foi barrada pela inocência, que foi partida e espalhada pelo mundo para sua própria segurança. Foi uma solução inteligente, pois a inocência encontra sua antítese na Matéria Negra, manipulada pelos Noés e um importante material na constituição dos akuma.
É interessante acompanhar a evolução dos personagens — e do traço de Hoshino-san — tanto no anime quanto no mangá, Motivo pelo qual muitas pessoas tenham odiado os episódios iniciais e arranjado outra coisa pra fazer. Percebe-se, de fato, certa hesitação nos traços dos personagens nos primeiros volumes, principalmente em Komui Lee e em Kanda Yuu, este parecendo feminino demais e gradativamente masculinizado nos lançamentos seguintes. A mangaka esmera-se no andar do enredo sem descuidar da aparência dos personagens, especialmente em Allen Walker: do crescimento dos cabelos até o no olhar dos personagens, é possível verificar o quanto a história evoluiu até chegar aos volumes atuais.
Para se ter uma idéia, Allen hoje está assim: 
Mas ele começou assim: 
O antes e depois de Komui Lee, chefe da Ordem Negra (traduzido pelos scanlators e fansubs como “Supervisor”):
=> 
E Kanda Yuu, rival mal-humorado de Walker:
=>
Allen Walker é detentor de uma inocência tipo parasita, a qual usa a própria energia do hospedeiro para catalisar seu poder destrutivo. Em Allen, ela está alojada em seu braço esquerdo e inicialmente adquire a forma de um poderoso braço/garra gigante. No (longo) decorrer da trama, ela passa a se transformar noutras coisas mais úteis como canhões e espadas.
Kanda, por outro lado, manipula uma inocência tipo equipamento. Na prática, a inocência fica confinada num tipo de utensílio qualquer — no cão caso de Yuu, a katana Mugen — que confina a inocência e direciona todo o seu poder. Costumam ser um tanto mais fracas, porém não exigem tanto de seus usuários quanto as parasitas.
O anime tem evolução equivalente dos personagens, fora algumas medidas supressoras da TV Tokyo, que preferiu remover as aparições recorrentes de crucifixos e menções a Deus e ao Vaticano até onde fosse possível e que não comprometesse a trama. Temos legenda em dia do grupo Aya Fansubs (os melhores até agora), mas já passou pelas mãos do Bakuhatsu e do Anime Bushido. Há rumores de que o anime termine no episódio 103, mas tenho fé de que esta será apenas uma pausa para que o mangá possa deslanchar na frente e o estúdio não precise recorrer aos modorrentos fillers, que costumam ter criatividade zero.
Não que os fillers de D.Gray-Man sejam tão ruins, mas aproveitam a necessidade de enfiar episódios, enquanto o mangá toma distância, para aprofundar nosso conhecimento da vida dos personagens. Se Hoshino não tem tempo para a vida do General Kevin Yegaar e Suman Dark, o pessoal da TV não se faz de rogado e dedica bons episódios a eles. Contudo, a sanha chega a ser tamanha que até figurantes recebem a “honra” de ganhar vinte minutos a mais de fama. Acaba ficando chato quando até a Oficial Moore ganha episódio, uma figurante miserável, mas certamente não é torturante como a Saga do Curry de Naruto.
Se o anime termina daqui a duas semanas amargando baixa audiência na TV Tokyo, o mangá continua de vento em popa e é dos mais vendidos pela Shonen Jump, pronto para começar um novo arco de histórias e com revelações intrigantes sobre o Conde do Milênio. Atualmente são distribuídos na língua portuguesa pelo Silensce (retirou os primeiros episódios por conta do recente licenciamento no Brasil) e Haru-ka, mas dá pra pegar versões em italiano e inglês no D.Gray-Man World. Recomendo ver o anime e o mangá.
***
Atenção aos nomes dos personagens: alguns são trocadilhos de nomes famosos. Duvida? Para ficar num exemplo, veja Arystar Krory.
D.Gray-Man foi o segundo anime desde que voltei a assistir desenhos animados japoneses — estive bem distante deles até o surpreendente O Castelo Animado, de Hayao Miyazaki, me fazer interessar de novo pelo tema.








