A chuva de ontem pôs fim à seca mais cruenta desde que Cabral desceu da caravela. Aqui no Cerrado a sociedade civil já começava a organizar a Marcha dos Sedentos na Esplanada. Capaz até de Guy Fawkes dar as caras mais uma vez.
26 de setembro também foi o dia nacional dos surdos, portanto deem-me parabéns (por quê? Não sei, não faz pergunta difícil), mandem presentes ao politburo, porque este Sátrapa é também um dos eleitos com defeito nos auscultadores de intriga – o que não o torna mais relapso nem mais ingênuo, apesar do que a patuleia vê nestes olhinhos pretensamente inocentes.
2011 – o ano dos GIFs.
Mata Hari continua a ser a melhor guardiã que alguém poderia querer. Do tipo ninja: você não a vê, mas sente a presença da gata na escuridão das sombras.
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Mas tem horas em que ela é a mais grudenta e carente das gatas. Um amor.
Este Sátrapa foi criado no ambiente mais eclético possível em qualquer esfera pensante, do musical ao religioso – do tipo Zé Pilintra tomando um mé com dona Nossa Senhora Aparecida e trocando ideia com Jesus Cristo todo poderoso da Assembleia de Deus, e o resultado é este que vos fala: um cidadão repleto de fé imorredoura no hitsuzen dos exus cristãos de senhor meudeus e otimismo inabalável na capacidade de superação humana. Ainda assim, é difícil de entender o oportunismo insaciável dessa gente tão pequena. Que há essa tragédia do menino e a professora, vá lá, dói; que há gente mais sensitiva aos mistérios do universo de um modo que nem a física quântica explica, très bien; mas – porra, sociedade – usar e abusar dessa dor alheia para satisfazer suas necessidades messiânicas de atenção, conversão e evangelização, de alegar “sensações”, “mensagens”, “armagedão” só depois do negócio todo ter passado no datena e no jornal nacional – olha, é a massificação do sputare sentenze, a orkutização dos cosplay de Dalai Lama; cordei kd humanidade? Deve ter ficado obsoleta junto com o último iPhone e ninguém percebeu. E tome livro de auto-ajuda pra lavar a alma do povo.
A vida deste Sátrapa está tão silenciosa aqui no WordPress porque o Tumblr se revelou uma ferramenta incrivelmente capaz de alcançar o coração das massas, a mente dos jovens, a atenção da mídia e os recursos para pôr em marcha a Revolução. Arrã, Samu, tu não sabe é de nada. Sei é que o meu Tumblr está uma graça, recomendo.
A chegada do outono no hemisfério norte traz a nós, gente diferenciada dos trópicos, temporadas novas das nossas séries adoráveis. Meus pitacos seguem adiante, com prováveis spoilers que não tenho saco para editar.
Misfits – a terceira temporada começa só em novembro, mas a saída do charmoso e endiabrado Robbie Sheehan do elenco no afã de tentar (merecidos) voos mais altos no cinema motivou a gravação do epílogo que saiu para o público na forma de webepisódio, a hilária ascensão e queda de Nathan nos cassinos de Las Vegas. Serviu como excelente aperitivo do que está por vir, e uma saída de luxo para o personagem que deixará saudades. Aliás, devo um review mais detalhado da pérola que é Misfits.
NdS: SAVE ME, BARRY!
Fringe – parece que o pessoal da Bad Robot decidiu reanimar a série com uma espécie de reboot, apesar do que tudo que aconteceu nas temporadas anteriores continuar valendo. No fim, a gambiarra espaço-temporal de Peter Bishop – que está devidamente sumido em algum canto do multiverso – ficou bem parecida com as soluções adotadas pela Marvel e DC nas reviravoltas das suas comics. Não que a coisa toda tenha ficado malfeita, justo o contrário: a ausência de Peter Bishop ficou até agora bem amarradinha e Walter está bem mais aéreo sem a existência do filho, ainda que adorável como sempre. Fringe continua excelente, continua jogando a cara da concorrência na poeira, e continua com os lindos zepelins singrando os céus do lado de lá.
NdS: eles perderam o patrocínio da Ford? Olivia Dunham dirigindo GMCs horríveis em vez daqueles caixotinhos adoráveis… nhé.
Person of Interest – Outra traquinagem da Bad Robot, a produtora de J.J. Abrams também responsável por Fringe, tem início promissor. Conta com o excelente Michael Emerson, que por pouco, muito pouco, não reprisa os trejeitos de Ben Linus na pele do banqueiro, gênio da tecnologia e notório calculista “Sr. Finch” . A associação com Benjamin Linus de Lost é automática, em parte devido à icônica interpretação de Emerson, mas também devido à infelicidade do figurinista: os óculos redondos trazem de volta o ambíguo Outro, e quase detona o esforço de Emerson em dar identidade ao Sr. Finch, especialmente no tom falsete a voz e no caminhar manco do homem. Pelas fotos no site da CBS, o faux pas foi bem sentido e já trataram de caracterizar o Mr. Finch com lentes mais pesadas. Nada que um bom óculos nerd de acrílico não resolva.
(Eu o-d-e-i-o óculos com aro de acrílico, seja qual for o formato, com todas as minhas forças. A maior parte desses óculos são grossos demais a ponto de esconder o rosto das pessoas, isolá-las do resto do mundo. Não gosto. Na fuça dos outros pouco me importa, mas as únicas lentes aprovadas aqui no politburo são aquelas guarnecidas com pheena e elegante armação do bom e velho e vil metal.)
Glee – a temporada começou, mas ainda não assisti. Fica para o próximo post.









