Rock in Rio: não vi um único show que seja pela televisão. Antes que o virtuoso leitor se esmoreça nas suas justas imprecações, cabe dizer que eu não assisto multicheque – bem, raramente assisto televisão em geral que não seja canal de filme. O resto a internet me encarrega de informar, e vez ou outra o Jornal Nacional.
Então. Roquenrrio, maior festival da Amérreca Latrina, que eu não vi porque precisei viver para trabalhar, conhecer a Chapada dos Veadeiros, rir com os amigos e postar fotos lindas no Tumblr. Mas soube aqui e ali dos bafos inevitáveis.
“Rock, bebê”, porque bons drink é tão 2011 e nós já estamos quase quase ali no fim.
Teve Claudia Leitte fazendo vexame voando pelo palco; se revoltou no blog, chamou a rapeize de nazista (mestre Idelber Avelar ensina: chamou Hitler é porque perdeu a discussão, sem mais, mórreu) e foi devidamente trucidada pela Katylene.
Eu bem que poderia dizer que a tal canta mal etc. – mas não. Ela não é necessariamente odiada porque canta Axé (essa parcela de quem a odeia pelo que ela canta é normalmente composta de chauvinistas que acham música povão RUIM mas aplaudem de pé tosquices como N’Sync e Black Eyed Peas, relevemos). Não. Ela é odiada porque tenta transformar a simplicidade majestática do Axé, aquela nobreza africana inerente à puxada dos atabaques, nessa algaravia pirotécnica e pretensiosa. Tem gente que gosta, um bocado de gente. Mas ainda há esse bom povo temente a deus que possui olhos e ouvidos em bom estado. Aquele negócio de sair voando do palco, pra quê? Qual o contexto?
E aí teve Ivete, que é igual Claudia Leitte, só que ao contrário. Ivetão tem tanto carisma que põe até skinhead deathmetaleiro pra sair do chão e cantar Poeira juntinho. Pouca gente pode gostar de Axé, eu confesso ter lá minhas reservas, mas aquele não seria o maior evento da América Legal se não tivesse Ivete. Não seria.
E aí entramos no sputare sentenze fenomenal de William Bonner – gente, o evento é Evento é E-VEN-TO, cujo nome é rock in rio. A pessoa vai lá, vê as opções, escolhe o que quer ver e beleza. Não quis ver Rihanna, ok, mas tem Elton John no dia. Tem Steve Wonder, tem Red Hot, teve Sepultura e Skank. Até Milton Nascimento. Como lidaríamos com evento EXCLUSIVO de rock em pleno Rio de Janeiro na nação com a maior variedade cultural da face da Terra? Seria a coisa mais monótono desde a feira internacional de orquídeas de Rebimboca da Parafuseta, sejamos razoávies.
Ainda teve Shakira. Maná. Ke$ha (Ke~cifrão~rá). A variedade foi tão fenomenal que, mesmo eu não tendo visto um minuto de vídeo dos shows, me fez considerar seriamente a ideia de ver como será o próximo, em 2013.
Chapada dos Veadeiros, eu fui. Estradas que deveriam ser liberadas apenas para jipes, areal perigoso, eu, A., P. e sua irmã fomos com Sapão, na cara e na coragem. Fantástico. Esplêndido. Magnífico. Natureza. Bruxaria. Uma beleza.
Tem coisa mais engraçada que chinês reclamando de protecionismo econômico? Logo eles, que mantém a moeda artificlamente desvalorizada para deixar os produtos baratos a ponto de caracterizar dumping? Ora, faça-me um favor.
Outra semana auspiciosa se anuncia, e os fantasmas vão direto para a caixa de spam. Uma beleza, desculpem meu bom humor em plena segunda-feira.


