D.Gray-Man
Ambientado num fictício final do século XIX, em D.Gray-Man acompanhamos a jornada de Allen Walker desde sua entrada na organização católica Ordem Negra, responsável por exterminar akuma (demônios, em tradução literal) e seus controladores, os treze descendentes de Noé. Os principais integrantes da Ordem são os Exorcistas, um punhado de soldados (inicialmente retratados como monges) que têm aptidão em dominar a inocência, substância mítica que confere poderes extraordinários a quem utiliza (nada de novo que não se tenha visto com outra roupagem, portanto), que pode ser associada a algum equipamento ou atuar no próprio corpo do utilizador.
Pouco a pouco, Allen imerge na centenária guerra da Ordem contra os akuma, armas movidas por almas humanas invocadas por pessoas desesperadas, e os Noés, e nela vale tudo; os exorcistas revelam ter a ajuda de um gigantesco contingente de cientistas, sediados em construções imensas espalhadas nos quatro continentes e que atuam no desenvolvimento de captura e manipulação da inocência, mas também na neutralização dos akuma. Os finders (ou procuradores), além de serem candidatos reprovados na difícil tarefa de domar a inocência, são encarregados de encontrá-las ao redor do mundo e ajudar os exorcistas nas tarefas logísticas.
Os Noés são liderados pelo Conde do Milênio (embora o/a mangaka Hoshino Katsura não diga explicitamente, o personagem certamente foi inspirado no Conde de Saint Germain), e seus anseios são até muito simples: destruir o mundo e varrer a pecadora humanidade da face da terra
! Ao que parece, a primeira tentativa de tal feito foi barrada pela inocência, que foi partida e espalhada pelo mundo para sua própria segurança. Foi uma solução inteligente, pois a inocência encontra sua antítese na Matéria Negra, manipulada pelos Noés e um importante material na constituição dos akuma.
É interessante acompanhar a evolução dos personagens — e do traço de Hoshino-san — tanto no anime quanto no mangá, Motivo pelo qual muitas pessoas tenham odiado os episódios iniciais e arranjado outra coisa pra fazer. Percebe-se, de fato, certa hesitação nos traços dos personagens nos primeiros volumes, principalmente em Komui Lee e em Kanda Yuu, este parecendo feminino demais e gradativamente masculinizado nos lançamentos seguintes. A mangaka esmera-se no andar do enredo sem descuidar da aparência dos personagens, especialmente em Allen Walker: do crescimento dos cabelos até o no olhar dos personagens, é possível verificar o quanto a história evoluiu até chegar aos volumes atuais.
Para se ter uma idéia, Allen hoje está assim: 
Mas ele começou assim: 
O antes e depois de Komui Lee, chefe da Ordem Negra (traduzido pelos scanlators e fansubs como “Supervisor”):
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E Kanda Yuu, rival mal-humorado de Walker:
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Allen Walker é detentor de uma inocência tipo parasita, a qual usa a própria energia do hospedeiro para catalisar seu poder destrutivo. Em Allen, ela está alojada em seu braço esquerdo e inicialmente adquire a forma de um poderoso braço/garra gigante. No (longo) decorrer da trama, ela passa a se transformar noutras coisas mais úteis como canhões e espadas.
Kanda, por outro lado, manipula uma inocência tipo equipamento. Na prática, a inocência fica confinada num tipo de utensílio qualquer — no cão caso de Yuu, a katana Mugen — que confina a inocência e direciona todo o seu poder. Costumam ser um tanto mais fracas, porém não exigem tanto de seus usuários quanto as parasitas.
O anime tem evolução equivalente dos personagens, fora algumas medidas supressoras da TV Tokyo, que preferiu remover as aparições recorrentes de crucifixos e menções a Deus e ao Vaticano até onde fosse possível e que não comprometesse a trama. Temos legenda em dia do grupo Aya Fansubs (os melhores até agora), mas já passou pelas mãos do Bakuhatsu e do Anime Bushido. Há rumores de que o anime termine no episódio 103, mas tenho fé de que esta será apenas uma pausa para que o mangá possa deslanchar na frente e o estúdio não precise recorrer aos modorrentos fillers, que costumam ter criatividade zero.
Não que os fillers de D.Gray-Man sejam tão ruins, mas aproveitam a necessidade de enfiar episódios, enquanto o mangá toma distância, para aprofundar nosso conhecimento da vida dos personagens. Se Hoshino não tem tempo para a vida do General Kevin Yegaar e Suman Dark, o pessoal da TV não se faz de rogado e dedica bons episódios a eles. Contudo, a sanha chega a ser tamanha que até figurantes recebem a “honra” de ganhar vinte minutos a mais de fama. Acaba ficando chato quando até a Oficial Moore ganha episódio, uma figurante miserável, mas certamente não é torturante como a Saga do Curry de Naruto.
Se o anime termina daqui a duas semanas amargando baixa audiência na TV Tokyo, o mangá continua de vento em popa e é dos mais vendidos pela Shonen Jump, pronto para começar um novo arco de histórias e com revelações intrigantes sobre o Conde do Milênio. Atualmente são distribuídos na língua portuguesa pelo Silensce (retirou os primeiros episódios por conta do recente licenciamento no Brasil) e Haru-ka, mas dá pra pegar versões em italiano e inglês no D.Gray-Man World. Recomendo ver o anime e o mangá.
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Atenção aos nomes dos personagens: alguns são trocadilhos de nomes famosos. Duvida? Para ficar num exemplo, veja Arystar Krory.
D.Gray-Man foi o segundo anime desde que voltei a assistir desenhos animados japoneses — estive bem distante deles até o surpreendente O Castelo Animado, de Hayao Miyazaki, me fazer interessar de novo pelo tema.
28 Abril, 2009 às 1:30 pm
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